Uma Breve Compreensão sobre o Complexo de Édipo

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March 9, 2015
Uma Breve Compreensão sobre o Complexo de Édipo

pai-e-filha-thumb10012470 (1)O presente trabalho destina-se a comunicar algumas considerações acerca do complexo de Édipo. O fundador da psicanálise, Sigmund Freud, instituiu o Complexo de Édipo como uma fase universal na infância do sujeito em que há uma triangulação na constituição familiar que poderá definir a estrutura psíquica do indivíduo. Assim, o artigo objetivou entender o complexo de Édipo a partir da teoria freudiana, bem como compreender o processo de dissolução do Complexo de Édipo. O trabalho torna-se essencial para a construção do entendimento em psicanálise, bem como esclarecer ou desmistificar esse processo.

Palavras-Chave: Complexo de Édipo, Sigmund Freud, Psicanálise

Considerações Iniciais

De acordo com Freud todo ser humano deve sua origem a um pai e a uma mãe, não tendo como escapar dessa triangulação que constitui o centro do conflito humano. Essa triangulação perpassa por toda a vida do sujeito, sendo esse acontecimento que definirá a estrutura psíquica do indivíduo.

O Complexo de Édipo foi um conceito criado por Sigmund Freud. O fundador da psicanálise que teve como base a mitologia grega do Édipo Rei. Nesse cenário, Édipo, sem saber que Jocasta é sua mãe, casa-se com ela e assassina o próprio pai, inconsciente do grau de parentesco familiar. Quando descobre a verdade, Édipo, cega a si mesmo e sua mãe se suicida.

Esse conceito é universal na psicanálise, visto que desperta sentimentos de amor e ódio direcionados para aqueles que lhes são mais próximos, os pais. O complexo de Édipo ocorre quando a criança está atravessando a fase fálica, ou seja, quando descobre que ao atingir três anos de idade passa a ser alvo de varias proibições que para ele eram desconhecidas. Nesse momento, a criança não pode mais fazer o que bem entende, a família e a sociedade começam a impor regras, limites e padrões.

Nesse sentido, quando a criança percebe que está nesse momento da vida e reconhece a distinção entre ela e seus genitores, ela ingressa em uma das fases mais importantes de sua vida, tendo em vista que definirá seu comportamento na idade adulta, principalmente referente na esfera sexual.

Sendo assim, o Complexo de Édipo é um dos conceitos mais famosos na teoria freudiana, ao passo que o fundador da psicanálise passou anos a fio elaborando e repensando até chegar ao conceito final. Inicialmente, o Complexo de Édipo se referia a uma escolha objetal, mas, lentamente, torna-se um processo central para o desenvolvimento do conceito de identificação.

Entendendo o Complexo de Édipo

Inicialmente, o termo nem sequer aparecia na primeira elaboração da teoria da sexualidade infantil, embora Freud, em uma carta a Fliess, desde 1897, relate “ter descoberto em si mesmo impulsos carinhosos quanto à mãe e hostis em relação ao pai, estes complicados pelo afeto que lhe dedicava” (MEZAN, 2003: 189).

O termo Édipo surge desde o início dos estudos de Freud, porém, só ganha uma elaboração mais definitiva no momento em que Freud finaliza sua obra.

No menino o complexo de Édipo se desenvolve através de um investimento objetal para com a mãe, dirigido, primeiramente, para o seio materno, modelo anaclítico de espelho objetal. A sua relação com o pai é de identificação. Esses dois relacionamentos não têm longa duração, pois logo os desejos incestuosos do menino pela mãe se tornam mais intensos, e o pai passa a ser visto como um obstáculo a eles; disso se origina o complexo de Édipo. Logo, a identificação com o pai carrega-se de hostilidade, e o desejo de livrar-se dele predomina, bem como a ideia de ocupar seu lugar junto à mãe. A ambivalência inerente à identificação, desde o início, se manifesta dominando a relação com o pai. Portanto, o complexo de Édipo positivo do menino se caracteriza por uma atitude ambivalente em relação ao pai e por uma relação objetal afetuosa com a mãe (CARVALHO FILHO, 2010).

Segundo Freud (1900, p.261), durante a infância, “apaixonar-se por um dos pais e odiar o outro figuram entre os componentes essenciais do acervo de impulsos psíquicos que se formam nessa época”

“Se a satisfação de amor no campo do complexo de Édipo deve custar à criança o pênis, está fadado a surgir um conflito entre seu interesse narcísico nesta parte de seu corpo e a catexia libidinal de seus objetos parentais. Nesse conflito, triunfa normalmente a primeira dessas formas: o ego da criança volta as costas ao complexo de Édipo” (FREUD, 1990).

Portanto, o fim do complexo de Édipo é correlativo da instauração da lei. É pelo medo da castração que o menino começa a desistir de sua paixão incestuosa, iniciando o processo pelo qual acabará por identificar-se com a Lei do Pai, assim para Freud a lei repousa na interdição do incesto. “Os investimentos objetais são abandonados e substituídos por uma identificação. A autoridade do pai introjetada no ego forma o núcleo do superego, que assume a severidade do pai e perpetua a proibição deste contra o incesto, defendendo o ego do retorno da libido” (FREUD, 1977, p. 221).

Ao mesmo tempo em que estas fantasias claramente incestuosas são superadas e repudiadas, completa-se uma das conquistas mais significativas, mas também mais dolorosas, do período puberal: a emancipação da autoridade dos pais, único processo que permite o surgimento da oposição entre a velha e a nova geração, tão fundamental para o progresso da civilização. (Freud apud Mezan:2003:136)

A Dissolução do Complexo de Édipo

Para entendermos o que acontece no Complexo de Édipo é preciso voltarmos um pouco na “historia” do sujeitos, no que poderíamos chamar de “primórdios” da relação com o objeto. O primeiro objeto erótico de uma criança é o seio da mãe que alimenta. A origem do amor está ligada à necessidade satisfeita de nutrição. Este primeiro objeto- o seio – é ampliado à figurada da mãe da criança, que não apenas a alimenta, mas também cuida dela e, assim, desperta-lhe um certo número de outras sensações físicas, agradáveis e desagradáveis. Através dos cuidados com o corpo da criança, a mãe torna-se seu primeiro “sedutor”. “Nessas duas relações reside a raiz da importância única, sem paralelo, de uma mãe, estabelecida inalteravelmente para toda a vida como o primeiro e mais forte objeto amoroso e como protótipo de todas as relações amorosas posteriores – para ambos os sexos” (FREUD, 1940/1996, p.202).

Na fase fálica, que ocorre ao mesmo passo do complexo de Édipo, o órgão genital (o pênis) já assumiu o papel principal. O menino revela seu interesse por seus órgãos genitais com o comportamento de manipulação do mesmo. Logo, descobre que os adultos reprovam tal comportamento à medida que inferem a ele uma punição – a castração. Essa ameaça provém de mulheres, que buscam reforçar sua autoridade por uma resistência ao pai, afirma o seguinte autor (FREUD, 1924/1996).

A destruição do complexo de Édipo é ocasionada pela ameaça da castração. Nesse caso, a catexia objetal da mãe deve ser abandonada. O seu lugar pode ser preenchido por uma das duas coisas: Uma identificação com a mãe ouuma intensificação de sua identificação com o pai, como resultado mais normal e que consolidaria a masculinidade, no caso do menino.

De modo que, nos meninos, o complexo de Édipo é destruído pelo complexo de castração, nas meninas ele se faz possível e é introduzido através do complexo de castração. A menina aceita a castração como um fato consumado, ao passo que o menino teme a possibilidade de sua ocorrência.

O complexo de Édipo, apesar de acontecer na infância, o sujeito revive esse fato na adolescência e os resultados dele estão presentes na vida de qualquer adulto. De acordo com a lenda do Édipo Rei, para Freud (1917), ouvi-la é um certo horror para todos os sujeitos, uma que vez que esta “evoca” o que estava adormecido – os desejos incestuosos.

Considerações Finais

As discussões tecidas nesse artigo visam fomentar estudos sobre o processo de construção do Complexo de Édipo e suas implicações no decorrer da história de vida do sujeito. O complexo de Édipo é relevante na teoria tendo em vista que caracteriza a diferenciação do sujeito em relação aos pais e possibilita que a criança perceba que seus pais pertencem a uma dimensão cultural e social e que não podem dedicar-se somente a elas. Dependendo do percurso percorrido do Complexo de Édipo e sua dissolução o sujeito manifestará, ainda, muitos conflitos durante a sua idade adulta, ou seja, o Complexo de Édipo influencia diretamente na construção da estrutura psíquica do indivíduo.

CARVALHO FILHO, João Gualberto Teixeira de. A acepção de família na teoria psicanalítica: sigmund freud, melanie klein e jacques lacan. 2010. 166 f. Dissertação ( Mestrado em Psicologia) – Universidade Federal de São João Del-Rei, 2010.

FREUD, Sigmund. Publicações pré-psicanalíticas e esboços inéditos. Rio de Janeiro, Imago, 1977. p.221. (Edição Standard da Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, Rio de Janeiro: Imago, 1996.

FREUD, Sigmund.  O desenvolvimento da libido e as organizações sexuais (1916), v.XVI, p. 325-342.  Edição Standard da Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, Rio de Janeiro: Imago, 1996.

FREUD, Sigmund. A dissolução do Complexo de Édipo (1924), v. XIX, p. 189-199. Edição Standard da Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, Rio de Janeiro: Imago, 1996.

FREUD, S. (1900). A Interpretação de Sonhos. Rio de Janeiro: Imago, 2001.

MEZAN, R. Freud: A trama dos conceitos. Editora Perspectiva, 4°edição, 2003.

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