Relacionamento Virtual

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March 10, 2015
Relacionamento Virtual

love-distance1O estudo deste artigo aborda o processo de comunicação e relacionamentos amorosos no ambiente virtual que hoje faz parte do cotidiano da sociedade, possibilitando maior interação entre as pessoas, uma vez que rompeu com o padrão presencial. Nessa pesquisa participaram quatro usuárias da Internet, que responderam a um questionário sobre suas opiniões e comportamentos relacionados à afetividade e relacionamento virtual. A amostra foi composta por mulheres adultas, solteiras, com e sem filhos, com níveis socioeconômico médio a alto. Para esse estudo, utilizou-se o método qualitativo onde foram realizadas entrevistas abertas, gravadas e posteriormente transcritas e analisadas conforme o método de Bardin, onde visou identificar quais as razões que levam as mulheres a estabelecer relacionamentos afetivos através de chats, comunidades, sites como Par Perfeito, Facebook, MSN e outros meios eletrônicos. Verificou-se que as participantes acreditam na possibilidade de relacionamentos virtuais duradouros, no entanto relataram necessidade de confiar para depois ter um contato face a face.

Palavras-Chave: Afetividade. Facebook. Internet. Relacionamento Virtual. Par Perfeito.

1. Introdução

A internet faz parte do cotidiano da sociedade, possibilitando maior interação entre as pessoas, uma vez que rompeu com o padrão presencial, no qual era imprescindível a presença dos indivíduos, sendo, deste modo, utilizada também como forma de difusão dos relacionamentos afetivos. É justamente por vivermos numa geração em transição entre um modelo onde a forma de conhecer pessoas era exclusivamente o físico, presencial e real para uma possibilidade de estabelecimentos de relacionamentos através do espaço virtual.

Considerando esses aspectos, esta pesquisa terá como finalidade identificar quais as razões que levam mulheres a estabelecer relacionamentos afetivos virtuais, via chats, comunidades, sites e outros meios eletrônicos, em detrimento do modo tradicional onde ocorre o contato presencial; analisar quais as consequências dos relacionamentos virtuais; além disso, verificar se a pessoa utiliza identidade real ao entrar em chats, sites e comunidades nas redes sociais; também avaliar como a socialização e a segurança/insegurança se manifesta nas usuárias das redes sociais; e analisar os efeitos que a solidão causa na vida cotidiana das mulheres que buscam os relacionamentos virtuais;

Dentro desse contexto percebe-se a grande importância de realizar um estudo científico sobre esse tema para que se desnudem as formas de comportamentos dessas relações e de como essas mulheres são afetadas por tais situações. Para que se completem tais análises percebe-se a importância do tema e dos poucos estudos acerca do assunto, faz-se imprescindível uma pesquisa para entendermos a procura cada vez maior por esse tipo de relacionamento.

2. Caracterização da Internet

Segundo Rosa (2001), a internet é entendida como um grupo de conexões de computadores representado pelo Word Wide Web (www) e as áreas afins, surgiu de maneira abrupta e tomou conta das práticas cotidianas, gerando perplexidades, inclusive no âmbito jurídico, principalmente vinculadas à segurança, privacidade, comércio, criminalidade e direito de família (relacionamentos afetivos virtuais).

A natureza particular da internet é que, pela primeira vez na história o ser humano, cada leitor ou espectador não tem que contentar-se com uma participação passiva. Ele, ou ela, pode intervir pessoalmente, agir ou participar ativamente da criação do conteúdo de um meio de comunicação com o alcance de milhões de outras pessoas, e tudo isso em tempo real (ROSA, 2001).

Guimarães (2000) ressalta que são muitas as causas que motivam os relacionamentos virtuais. Uns navegam na internet para atender a uma necessidade natural de conhecer pessoas, para brincar, para fazer descobertas, repetindo o que acontecia antigamente nos relacionamentos por carta, que se iniciavam por uma amizade sem compromisso. Outros usam os relacionamentos virtuais para vencer a solidão, para vencer o tédio do cotidiano, para preencher carências afetivas. Enquanto uns buscam relacionamentos virtuais para fugir da relação pouco gratificantes que vivem na realidade, outros também usam a sedução exercida no espaço virtual para melhorar a relação com seus parceiros reais.

Segundo Schelp (2009) o “Orkut, twitter, e Facebook, entre outros ambientes, não aplacam a solidão”, pois diminuem o círculo de amigos próximos enquanto contatos virtuais aumentam ostensivamente. Ainda Schelp (2009) diz que a internet tornou-se um vasto ponto de encontro de contatos superficiais.

Cumpre mencionar que há duas formas de comunicação “online”. A primeira é denominada síncrona, pela qual os usuários estão conectados ao mesmo tempo e conversam em tempo real, aqui destacam-se as salas de bate-papo dos “sites” de relacionamentos e programas como o MSN (Messenger); e a segunda é conhecida como assíncrona, a qual não é realizada em tempo real, sendo mediada pelo uso de e-mails e dos “sites” de comunidades “online” ou virtuais, como o Orkut, Facebook, etc., (CAMPOS, 2009).

Com a internet permite-se a interatividade absoluta com a utilização de vídeo, câmera digital, tela interativa, celulares, entre outros, possibilitando que as pessoas rompam limites entre o real e o imaginário.

Schelp (2009) relata que na internet é fácil administrar uma enorme rede de contatos, com pessoas pouco conhecidas, porque estão todos ao alcance de um clique. A lista de amigos virtuais é uma espécie de agenda de telefones, com a vantagem de não ser necessário ligar para todos […].

De acordo com Schelp (2009), em nenhum outro país as redes sociais on line têm alcance tão grande quanto no Brasil, com uma audiência mensal de 29 milhões de pessoas.

Segundo Guimarães (2002), o medo da violência fez com que a socialização ficasse cada vez mais difícil. Dessa forma, para suprir essa necessidade de contato intelectual, social e afetivo, algumas pessoas, que hoje são milhões, foram aderindo a essa nova maneira de se comunicar, de fazer novas amizades: os “chats” de conversação.

Freud (1920/1987) ao definir o ego como sendo a instância resultante de inúmeras identificações, formada na sua maior parte por aspectos inconscientes, relativiza a noção de unidade, de coerência deste pólo da personalidade.

O sonho diurno, ou devaneio, que Freud (1908/1987) denominou, com tanta propriedade, de fantasia pode ser um conceito de extrema relevância para pensar as relações virtuais, estabelecidas entre os habitantes do ciberespaço, nos chats de conversação. Nestas relações não presentificadas e, portanto, anônimas, a adoção de um pseudônimo ou mesmo a construção de um ou mais personagens para se comunicar com os outros são frequentes (FREUD, 1987 Apud LANZARIN, 2000).

Já que o homem está cada vez mais em casa, o uso dos “chats” de conversação permite uma relação de interação com o mundo, não apenas como troca de ideias, mas também como uma nova forma de conhecer pessoas, o que pode vir a ampliar o número de relacionamentos pessoais. Os sites de relacionamento ajudam o “internauta” a resolver questões sexuais e sentimentais. Os bate papos fazem com que o contato afetivo seja bem facilitado, principalmente para pessoas inseguras ou com problemas de socialização (DELA COLETA 2008, apud GUIMARÃES, 2002).

A realidade das relações virtuais abrange um amplo aspecto de possibilidades de relações que vai desde a normalidade à patologia, dependendo do uso que cada indivíduo faça desta relação, seja um uso narcísico (que pode ser apenas um prolongamento de seu mundo interno), seja um uso perverso ou uma forma de se evadir da realidade externa ou interna, conforme a subjetividade inerente a cada ser humano (GUIMARÃES, 2000).

De acordo com Dela Coleta (2008), o relacionamento virtual pode, ou não, materializar-se na realidade, concretizando as relações iniciadas no ciberespaço. Os conflitos, as mentiras, os problemas e as decepções quando da relação materializada são de caráter subjetivo, dependendo do usuário e da maneira como ele lida e convive no ciberespaço. O usuário é responsável por suas ações e atitudes na esfera do virtual e posteriormente na realidade.

Para Abreu (2008), alguns estudiosos concluíram que o transtorno pela internet ou o uso problemático da internet, poderia acometer qualquer pessoa, em qualquer idade, nível socioeconômico e educacional e destaca o Brasil como importante alvo […]. Essas pessoas apresentariam características peculiares como insegurança, introversão, fantasia acentuada, dispersividade de atenção, baixa tolerância a frustração, baixa auto estima, ansiedade social, impulsividade e dificuldades de estabelecer relacionamentos cara a cara (DELA COLETA, 2008).

3. Definindo o Relacionamento Virtual

Os relacionamentos virtuais romperam o padrão social dos relacionamentos presenciais, sendo motivados por muitas causas, frise-se que algumas pessoas utilizam a internet para atender a necessidade natural de conhecer pessoas, para fazer descobertas, como um relacionamento que se inicia por uma amizade sem compromisso; outras navegam na internet para afastar a solidão, o tédio do dia a dia, preenchendo, desta forma, carências afetivas (CAMPOS, 2009).

Nos sites de relacionamento, os usuários teriam a disposição, uma ferramenta que minimizaria as dificuldades próprias de relacionamento social. Nesse espaço virtual, o internauta poderia escolher temas que viessem a lhe interessar, como: amizade, sexo virtual, namoro, etc. (DELA COLETA, 2008).

Mais de 60% das pessoas que navegam na internet acabam procurando por temas sexuais. São imagens, filmes, chats e salas de bate papo que permitem despertar boa dose de erotismo e, entre esse sexo adicto, são comuns aqueles que têm condutas masturbatórias diante dos sites eróticos ou chats que veiculam o chamado sexo virtual (BALLONE e MOURA, 2003).

Schelp (2009) relata que alguns sociólogos, psicólogos e antropólogos concluíram que essa forma de comunicação e relação não consegue suprir as necessidades afetivas mais profundas dos indivíduos.

Segundo Ballone e Moura (2003), a internet enfraquece os protocolos e condicionamentos culturais que habitualmente pesam sobre os vínculos sociais. Muitas vezes é exatamente isso que deseja o internauta tímido ou ansioso social. As diferenças individuais e sócio-culturais que alimentam a fobia e o medo do contato interpessoal direto e real diminuem e recebem aceitação maior na internet.

Quando um usuário mantém uma relação interpessoal através da internet, por meio de quaisquer de seus recursos, está participando neste espaço social através de uma relação que conserva os mesmos objetivos das relações interpessoais com presença concreta, assim, a internet surge como um veículo que pode propiciar o estabelecimento de vínculos interpessoais duradouros e profundos (SALAZAR, 2000 Apud BALLONE e MOURA, 2003).

De acordo com Farah e Fortim (2007) a rede social Facebook é considerada uma das principais causas de divórcio entre os americanos atualmente, segundo pesquisa da empresa de antivírus Norton. Na mesma medida, sites destinados a pessoas interessadas em um relacionamento amoroso ganham cada vez mais adeptos: cerca de 5% dos recém-casados americanos se conheceram pelo site de relacionamentos eHarmony, que tem mais de 33 milhões de inscritos espalhados por 191 países. Pagando um valor mensal, o usuário tem acesso a um “sistema de compatibilidade” que sugere pretendentes com gostos, valores e crenças similares aos seus. Em um clique, é possível ver fotografias de uma pessoa, saber algumas de suas preferências e convidá-la para uma conversa uma forma de conhecer e flertar que tem se tornado cada vez mais comum. Segundo pesquisa do Oxford Internet Institute divulgada em 2011, o número de usuários desse tipo de serviço aumentou 500% em todo o mundo nos últimos dez anos. Entre os brasileiros solteiros que têm acesso à rede, 65% já visitaram essas páginas.

Muitas pessoas buscam os sites por serem tímidas, por fantasia, curiosidade ou por terem sofrido alguma decepção e estarem com medo de se relacionar novamente e para isso não há uma regra. A pessoa por traz do computador cria uma falsa segurança de que está fora de risco de se decepcionar com o outro. É uma expectativa fora do real porque todo relacionamento tem pontos positivos e negativos. O namoro virtual permite o convívio com uma pessoa sem dividir os problemas e dificuldades de um casal real.

4. As Fases/Estágios do Relacionamento Virtual

Com propriedade Rosa (2001), aborda as 04 estágios/fases mais verificáveis nos relacionamentos virtuais demonstradas a seguir:

1ª Fase: Chats ou sites de relacionamentos pessoais

A motivação interna vai desde a curiosidade até a ausência afetivo-sentimental. Nessas ocasiões acontece (via de regra) o primeiro contato motivado por qualquer razão ou pretexto; um nickname (apelido) que agrada um nome, um filme, uma música, as motivações são inexplicáveis/aleatórias. Nos chats após o primeiro contato normalmente se passa para o “reservado” e a conversa flui naturalmente (ROSA, 2001).

2ª Fase: E-mail, dentre outros

Depois de estabelecido o primeiro contato, passa-se a etapa um pouco mais pessoal, estabelecida ainda sobre a regra de não ser muito específico nas informações, no qual as pessoas traçam impressões pessoais sobre os assuntos, se conhecem melhor, buscam saber mais de si e do outro. Em suma nessa fase/etapa, busca-se conhecer com as limitações próprias o outro, demonstrando aquilo que se é ou se quer ser. Em outra face, que nem todos querem contatos físicos. Muitos querem apenas uma fuga da realidade, sem necessariamente pretender consumar algo físico-sexual (ROSA, 2001).

3ª Fase: Contato Pessoal

A terceira etapa se constitui na apresentação real, por meio de encontros. Normalmente isso acontece depois de muita conversa e interação entre os parceiros virtuais. Entretanto, existem aqueles que entram em chats de encontros ou de sexo buscando apenas relacionamentos efêmeros, sem querer saber quem é a pessoa. Com efeito, avançando-se para o contato pessoal desnudando-se do véu virtual, derrubando-se o Muro Virtual de Berlin, abrem-se as possibilidades de interação pessoal (ROSA, 2001). O contato pode migrar para um namoro, amizade ou casamento (BARTHES, 2000 Apud ROSA, 2001).

4ª Fase: Passagem para o Contato Físico

Nessa etapa a distância do virtual e do real é superada e os amantes se entregam, finalmente, ao seu prazer físico. Buscado, mas não querido, no paradoxo eterno dos relacionamentos afetivos. (ROSA, 2001).

Barthes, (2000 apud ROSA 2001) descreve com precisão o encontro: “A figura se refere ao tempo feliz que se seguiu imediatamente ao primeiro rapto, antes que nascessem as dificuldades do relacionamento amoroso”.

De acordo com Rosa (2001), as características passam a ser de um adultério ou namoro verificado no contexto diário. Com o seu nascedouro vinculado a internet. Aqui surgem paixões, decepções, romances duradouros, encontros efêmeros, toda a gama de possibilidades dos relacionamentos afetivos.

5. Método

A presente pesquisa investigou o relacionamento virtual, suas principais motivações; consequências; segurança e insegurança; solidão e perfil falso. Portanto a pesquisa qualitativa mostrou-se mais apropriada para atender os objetivos deste estudo. “A pesquisa qualitativa responde a questões muito particulares, […] trabalha com o universo dos significados, dos motivos, das aspirações, das crenças, dos valores e das atitudes […]” (MINAYO, 2008 p.21).

Participaram da pesquisa quatro mulheres que foram selecionadas pelos seguintes critérios: mulheres solteiras que fazem uso da internet, sites de relacionamentos e a visão que cada uma tem do mesmo. As mulheres selecionadas para colaborar com a pesquisa foram contatadas pessoalmente e convidadas a participar. As entrevistas foram realizadas mediante a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, com as devidas orientações. O sigilo da identidade das participantes foi garantido, prevenindo quaisquer riscos para as mesmas. As entrevistas foram gravadas em áudio e posteriormente transcritas, sem qualquer alteração do conteúdo original. A análise dos dados seguiu todos os procedimentos éticos, onde foi utilizada a técnica de análise de conteúdo proposta por Bardin (2000). Esta se define como um conjunto de técnicas de análise das comunicações pretendendo obter, por processos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens.

6. Apresentação e Discussão dos Resultados

Com relação aos dados pessoais das participantes usuárias de internet, a pesquisa mostra que 100% são solteiras e uma não possui filhos. Possuem idade entre 20 a 50 anos, essa faixa etária é um indicativo pela busca de relacionamentos interpessoais mostrando um maior interesse por salas de bate papos, MSN [1] e sites[2] como Par Perfeito [3] e Facebook[4].

No que se refere aos relacionamentos virtuais, mesmo estando em um site em que se busca um relacionamento virtual, metade dos casos (50%) foram descritos como relacionamentos surgidos por algum interesse financeiro e nível cultural, e outros (50%) afirmaram que estavam no site apenas para flertar. Destas (25%) afirmam ter marcado vários encontros e mantido relações sexuais com parceiros da Internet.

Na maioria dos casos, (75%) relatam que já trouxeram seus parceiros ocasionais para dentro de suas casas, expressando que se preocupam com seus filhos, mas, que nunca deixaram que esse fator interferisse no encontro.

Quanto a problemas com o relacionamento social, a maioria (75%) respondeu possuir dificuldades de sair em festas noturnas, por serem tímidas, e achar na internet um meio mais fácil de se relacionar.

Nos sites e nas salas de bate-papo, utilizando-se apenas de um “nick” (apelido), (25%) das internautas afirmou ter uma identidade falsa podendo desaparecer a qualquer momento, sem a possibilidade de uma identificação com a realidade, já (50%) relata que apenas seus nomes e cidades não são verdadeiros.

Nesta pesquisa todas as participantes afirmam que o que buscam na internet além da renda mensal, seria por um sólido relacionamento afetivo.

Por meio da análise de conteúdo das entrevistas foram elaboradas cinco categorias. Quatro categorias a priori e uma a posteriori: perfil falso. No tema que investigou relacionamento virtual, suas consequências e principais motivações, foram formadas as seguintes categorias: motivações; risco e consequências; segurança e insegurança; solidão e perfil falso.

Na categoria motivações, as entrevistadas expressam as razões pelas quais elas utilizam a internet, buscando um relacionamento por questões financeiras, comodidade, estabilidade e segurança.

Para Prado (2004), ao entrar em sites de encontros onde as pessoas se cadastram, ele afirma que elas buscam alguém com perfil semelhante ao seu. Corroborando com o autor percebe-se que os sites de encontros como o Par Perfeito analisam e cruzam perfis de cada um dos inscritos e unem uns com os outros por afinidades.

Esse é um exemplo onde as internautas comentam que se dirigem diretamente àqueles que têm um perfil de afinidade com o seu, os mesmos interesses ou a mesma visão de mundo através dos tipos de planos, como por exemplo, o Plano Platinun [5] que se inscrevem para os pretendentes as observarem. Podem também escolher as pessoas por idade, sexo, profissão, religião, tipos de lazer preferido, musicas ou leituras prediletas, ou qualquer outro aspecto que consideram relevantes. Cada uma reagiu de maneira particular ante esse evento, conforme sua historia:

Eu acho que todo mundo procura uma coisa séria. […] têm uns que me depositam, bah eles ouvem minha historia e tem grana eu acho que eles vêm minha situação e não vem problema de me ajuda e eles pedem meu numero da conta eu passo o numero, e eles depositam, eu já ganhei ó o E. já me deu 4 mil reais, o A. deposita direto pra minha filha que é pra faculdade dela né , ele deposita 2 mil reais por mês, e é assim… (PENÉLOPE CHARMOSA, 50).

[…] eu gosto de conversar, de falar, de viajar, eu não sou muito de festa, eu gosto de trocar idéias, falar de lugares que conhece e que eu ainda não conheço então pra mim nossa… […] eu não tenho acesso a esses lugares assim sozinha então qual é o único jeito? Assim. Então, to em casa, não estou exposta de certa maneira e to conhecendo pessoas interessantes. (JULIETA, 42).

Um dos fatores mais salientados nas entrevistas foi o interesse pelo valor da remuneração dos “futuros” pretendentes, na fala das entrevistadas é possível observar:

[…] eu vou no site e eu procuro a renda mensal, porque tu coloca lá o perfil que tu qué, eu coloco assim: homens até 50 anos ai eu vou no salário que eles ganham, ai eu coloco tudo acima de 20 mil reais entendeu, 20 mil reais, 30 mil reais, menos que isso não, eu nasci pobre, chega né. (risos) (PENÉLOPE CHARMOSA, 50).

Existe a renda mensal. […] o nível de escolaridade pra mim também é muito importante, ãh porque não é só, só o como se diz o dinheiro, é a cultura, como disse tem que ser uma pessoa mais, mais do que eu, por que se for uma pessoa menos que eu…. tem que se uma pessoa que me acrescente. Um valor mensal que pra gente, deduz que é uma pessoa que deu certo né que facilitaria muito a vida se dé, se dé a liga entre um homem e uma mulher seria mais de 20, 30 mil reais. (JULIETA, 42).

Indo em desencontro com o pensamento de Prado (2006), há um descompasso entre o que se procura e que se encontra. Há uma procura, pelo menos, consciente, de relações estáveis, baseadas na confiança, na fidelidade, no respeito. Partindo desse pensamento, percebe-se que as participantes procuram um certo tipo de comodismo, segurança e afetividade também, mas o que está mais evidente é o interesse em conseguir aproveitar a vida de uma forma diferente, não tendo mais a responsabilidade de trabalhar, de cumprir com as obrigações diárias, e sim viver como se fossem adolescentes apaixonadas, curtindo a vida com viagens, compras, e com uma ótima situação financeira.

Na categoria consequências, todas as participantes relatam que sabem que existe algum tipo de perigo, até porque não se pode ter certeza de quem de fato é a pessoa que está do outro lado do computador, mas que há um processo de investigação para não cair em armadilhas, e só depois de algum tempo em que adquirem confiança e muita conversa é que irão se conhecer pessoalmente. As pessoas, ao se mascararem, encobriram suas próprias identidades por outras que refletem seu desejo de ser algo fora dos limites sociais, culturais e econômicos (SAMPAIO, 2002). De acordo com as falas:

[…] uma pessoa que tem problema, ela uma hora ela vai caí uma hora a máscara cai. Porque tu não vai conhecer uma pessoa na internet se tu ta na dúvida, tu não vai conversar dois dias e vai se encontra com a pessoa, não, se leva tempo, uma pessoa quando ela já tem um transtorno mental ela não espera muito tempo pra se manifestar, eles dizem que eu tenho sorte, mas não é sorte, eu sei filtrar as informações. (PENÉLOPE CHARMOSA, 50).

[…] ãh eu acho assim, uma coisa que eu acho desde o começo é fácil online porque tu vai conhecer a pessoa primeiro por dentro e tu fala 1,2,3,4,5,6 vezes, é impossível uma pessoa sustentá uma máscara por tanto tempo sabe, então sem chance dele ta mentindo (JULIETA, 42).

Nessa fala entende-se que para Sampaio (2002), a internet é uma aventura, e muita gente está vendo nela, a única alternativa. Realmente, o encontro amoroso é uma das mais difíceis de conquistar na vida real, no dia a dia.

Corroborando com a ideia de Sampaio (2002) a internet é extremamente perigosa, porque é um campo fértil não só para a imaginação e a fantasia, mas também para a perversão. É uma aventura factível de enfrentar, desde que se tenha total consciência de que as pessoas vão usar seus escudos e disfarces. A internet joga as fantasias e interesses de uma mulher, que às vezes podem ser completamente diferentes do que aparentar ser.

Na categoria segurança/insegurança, pode se perceber que as participantes têm consciência de que existe algum tipo de risco, mas, nunca deixaram de se relacionar apontando que tomam todos os cuidados necessários antes de conhecer o indivíduo pessoalmente. De acordo com Prado (2002), elas conversam pela webcam, [6] vêem fotos da família e ligam diretamente na empresa ou no trabalho do indivíduo.

O processo de aproximação amorosa via internet estabelece de modo invertido em relação à maneira usual através da qual as pessoas aproximam-se para um relacionamento amoroso, primeiro há longas conversas, depois se vêem em fotos, mais tarde se escutam por telefone, e só então podem, ou não, chegar ao encontro pessoal. (PRADO, 2004).

Com base nesse trecho percebe-se que para Prado (2004), cada entrevistada se revela na medida do que cada uma esconde ou oculta de si mesma, ou é capaz de perceber no outro diante da tela, e nesse outro, o seu espelho. O fato é que a comunicação via internet possibilitou o encontro das entrevistadas que, de outra forma, elas jamais iriam conhecer seus pretendentes. Essas falas conduzem a um entendimento:

Ah, eu procuro saber da família, eu procuro vê na cam… ééé normalmente eu antes de encontrar com essa pessoa eu já conheço a família dela pela cam é eu, eu olho o cara e já me fala o nome completo e eu já investigo na internet eu jogo no Google, eu, eu analiso tudo, vejo se é verdade eu ligo na empresa, eu sou precavida entendeu? (PENÉLOPE CHARMOSA, 50).

Eu conversei 3 meses com esse que eu to agora e eu pesquisei. Ele me disse que tinha uma profissão e eu fui procurar e encontrei um mundo de, de coisa, com foto com tudo, com reportagem, falei pela web, pesquisei a família dele tudo, tudo, tudo. Só vai no escuro quem qué. E isso é a experiência que faz ser assim. E assim ó tu fala, falou 3 vezes eu já sei se dá ou não dá, tu já sabe se ta mentindo. (JULIETA, 42).

Converso muito com ele antes, ãh procuro vê-lo na webcam, ãh investigo a vida dele, eu procuro sabe de onde é essa pessoa, como vive essa pessoa pra depois pode conhecer ele pessoalmente, ah e a família também eu investigo, mas o risco a gente sempre corre…(MORANGUINHO, 33).

Eu procuro sempre olha todas as redes sociais dessa pessoa, falo pela cam, procuro conhecer a família pela cam também, ah eu procuro saber tudo, tudo mesmo […] (POCAHONTAS, 22).

Partindo da ideia de Prado (2002) que a forma da qual se conhecem, tudo pode acabar mal, porém, se na hora do encontro, suas perspectivas não forem atendidas, talvez a pessoa não seja tão bonita como aparentava ser na foto, ou não usa roupas muito bacanas, ou tem mau hálito ou ainda a voz é estridente, irritante ou mesmo de uma “taquara rachada.”

Considerando esse ponto de vista, um relacionamento que parecia ser perfeito no virtual se torna inviável no âmbito real por aspectos simples que poderiam ter sido descobertos antes, se o relacionamento tivesse começado numa festa ao invés de ter dado início numa sala de bate-papo virtual. Pior ainda, é quando a pessoa não é nada daquilo que diz ser. É nesse ponto que entra a frase todo cuidado é pouco, pois existem muitas pessoas inexperientes se envolvendo cada dia mais nesse mundo virtual.

Na categoria solidão, nota-se que as participantes encontraram na internet um meio de fuga da realidade, tentando buscar um divertimento, um consolo, uma forma de aliviar suas carências afetivas, e esse meio encontrado lhes trouxe uma esperança de poder conhecer, construir e estabelecer novas amizades e conseqüentemente um relacionamento amoroso, também pelo fato de sentirem uma maior facilidade em paquerar virtualmente do que pessoalmente.

A internet é um instrumento excelente para as pessoas saudáveis, especialmente nas grandes cidades, pois elas trocam correspondências e cultivam amizades. O grande problema é a dependência que as pessoas criam sobre o conteúdo existente no computador. São pessoas frustradas, sozinhas e mal resolvidas amorosamente onde buscam algo novo todo dia (SAMPAIO, 2002),

Corroborando com a idéia de Sampaio (2002), a internet é nova, mas a solidão e o desejo de preenchê-la são tão antigos quanto o ser humano. Enquanto trocam-se e-mails também são compartilhadas mil emoções, pensamentos, sentimentos e fantasias. Quando existe alguém que as interessa, não há alegria maior do que ver a caixa postal cheias de mensagens do pretendente.

[…] tu não tem noção do que é a solidão numa cidade grande, eles sentem necessidade de ter alguém pra conversar, a maioria dos caras que eu converso sentem solidão então eles se apegam numa pessoa que dá carinho. […] e eu sentia uma solidão uma solidão dentro de casa hãã pensei que ia morre. (PENÉLOPE CHARMOSA, 50).

Muitas vezes a solidão, muitas vezes em casa sem ãh, uma fuga, uma fuga da realidade. (MORANGUINHO, 33).

Essas falas conduzem a um entendimento que com certeza existe algo que não mudou para o ser humano nessa vida real: a busca mais ou menos criativa de saídas diante do apelo à solidão, o preenchimento do que nos falta.

O que assusta as pessoas trancadas, isoladas e fechadas não é a internet, é a realidade, o perigo de sair em festas e voltar para casa de madrugada, o medo de se relacionar com as pessoas reais […] (SAIÃO, 2003).

Portanto, não é difícil perceber que, o surgimento da internet veio abrir novas e interessantes possibilidades de comunicação entre as usuárias, no conforto dos seus quartos ou no seu estabelecimento de trabalho, elas podem comunicar-se com “segurança”, e se sentindo solitária a comunicação virtual tornou-se muito mais atrativa.

Na categoria perfil falso, ocorre à construção de uma realidade de segunda ordem, uma realidade de simulação, que nos reporta a um mundo fantasioso, que é um mundo simbólico, imaterial, uma forma inusitada de estabelecer um vínculo social. Neste mundo, as entrevistadas muitas vezes fogem do seu cotidiano, comunicando-se com um “outro” sem rosto, sem identidade, que não exige compromisso, bastando clicar um botão para interromper a comunicação. Também existe o contato pelo celular onde uma das entrevistadas relata ter mais de oitenta contatos, todos adquiridos no site Par Perfeito, como se pode observar::

Ah é evidente que não vou pôr meu nome no site né, mas as fotos são minhas, são fotos atuais, eu não passo meu nome, mas do meu numero de celular […] o celular a gente da pra quem a gente qué, então tudo é real, só meu nome e a cidade que eu moro que não é real, eu não coloco que eu moro aqui, eu coloco que eu moro em São Paulo, sabe por quê? Porque é São Paulo que tem gente da grana, do dólar, que tem poderrr.. (PENÉLOPE CHARMOSA, 50).

Ah sim, eu nunca coloco meu nome verdadeiro, até por segurança né, e a cidade eu coloco Florianópolis, porque eles mostram mais interesse quando a cidade é maior, é capital sei lá, mas eu coloco minha idade real porque eu procurava um cara com a idade mais ou menos igual a minha… (JULIETA, 42).

Essa fala conduz ao entendimento de que o anonimato tem um efeito desinibidor para as entrevistadas, pois oferece muitas opções para elas expressarem suas necessidades e emoções. É como se as mesmas pudessem se apresentar com os mais variados trajes virtuais, com as mais diversas e interessantes identidades.

Eu nunca entro com o meu nome, nunca entrei como eu mesma. Eu digo que sou eu, só se eu confiar muuiiitoo na pessoa, e como eu tenho o meu nome fictício, as pessoas também tem uns nomes bizarros, e tendo nome bizarro esquece, porque tu sabe que aquele cara ou é casado, tem algum relacionamento fora ou ta só querendo sacanagem… (MORANGUINHO, 33).

Para Serra (2006), essa possibilidade de anonimato por meio dos fakes, [7] e a questão da identidade pessoal nas comunicações mediadas por computador foram pensadas desde o início como uma forma de oposição entre a autenticidade e a simulação “[…] entre dizer-se o que se é e ser-se o que se diz, e dizer-se o que se não é e ser-se o que se não diz.” (SERRA, 2006). Para muitas pessoas, segundo o mesmo autor, a simulação é a solução para os problemas de identidade. Ainda segundo Serra (2006), o virtual não é propriamente um espaço e um tempo de simulação, mas de maior autenticidade conforme permite ao indivíduo a revelação e libertação de todos os preconceitos e repressões, ocorrendo, assim, uma libertação das identidades.

Corroborando com a ideia de Serra (2006), as internautas podem fraudar dados pessoais como estado civil, raça, profissão, idade, tipo físico. Quanto à personalidade, pode demonstrar no espaço virtual características diferentes do seu comportamento social real. Dessa forma, nos relacionamentos a distância por intermédio das redes sociais, mesmo que possivelmente alguma das entrevistadas esteja triste, pode simular felicidade somente de aparência, e os demais usuários dessa rede não têm como verificar a realidade.

7. Considerações Finais

Procurou-se com este artigo investigar o relacionamento virtual, suas principais motivações, suas conseqüências e as novas formas de interação interpessoais que se tornaram possíveis com o surgimento da internet.

Arranjar um namorado virtual está se tornando uma situação cada vez mais comum, mulheres das mais variadas idades se rendem às facilidades do computador para encontrar sua alma gêmea no outro lado da tela.

Entretanto, da mesma forma como é fácil encontrar uma pessoa bacana que lhes proporcionem comodidade, estabilidade, segurança e uma boa situação financeira, também corre-se o risco de cair em certas armadilhas.

Entende-se que estes fatores como a curiosidade, facilidade em obter contatos e a rapidez na comunicação atraem e surpreendem as pessoas, na maior parte das vezes positivamente, aumentando a probabilidade de tornar-se dependente dessa máquina cada vez mais humana, onde encontram na internet uma forma de aliviar suas carências afetivas, um consolo, ou seja, elas expressam suas necessidades e emoções numa fuga da realidade, uma realidade de simulação, que as reporta a um mundo fantasioso, um mundo simbólico, imaterial, uma forma inusitada de estabelecer um vínculo social.

As mulheres que se inserem no “Par Perfeito, MSN e Facebook”, para buscar relacionamentos amorosos virtuais, fazem de maneira similar a um relacionamento amoroso não virtual; ou seja, inicialmente buscam “flertar”, conhecendo o companheiro de maneira mais superficial, e posteriormente, se essas pessoas despertarem algo mais, tenta-se conhecê-las no âmbito da realidade. As relações virtuais constituem uma nova forma de relacionamento que partem da descoberta de afinidades, ao contrário do e namoramento tradicional em geral que parte do olhar e do contato físico.

Dessa maneira, a comunicação a distância surgiu para facilitar os relacionamentos das pessoas, mas jamais uma forma de comunicação substituirá a outra, em razão de que ambas possuem limitações e relevâncias para os relacionamentos interpessoais.

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