Noção de estrutura da personalidade

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March 10, 2015
Noção de estrutura da personalidade

images (5)Bergeret (2006) diz que os termos neurótico ou psicótico (neurose ou psicose) são empregados para designar uma “doença”, ou seja, o estado de descompensação visível ao qual chegou uma estrutura, na seqüência de uma inadaptação da organização profunda e fixa do sujeito a circunstancias novas, interiores ou exteriores, tornados mais potentes que os meios de defesa de que ele dispõe. Mas esses dois termos podem ser utilizados referindo-se a noção de estrutura, das quais a doença não é senão uma das possibilidades evolutivas, mas não a única.

Pouco a pouco o psiquismo se organiza se estrutura como um todo complexo, com traços originais que não poderão variar depois. Bergeret (2006) fala que essa organização e estruturantes do psiquismo individual começaram desde a infância, antes do nascimento em função da hereditariedade para certos fatores, mas, sobretudo do modo de relação com os pais, desde os primeiros momentos da vida, das frustrações, dos traumas, e dos conflitos encontrados, em função também das defesas organizadas pelo Ego para resistir às pressões internas e externas, das pulsões do Id e da realidade.

estrutura personalidade

Nas neuroses o conflito se situa entre o ego e as pulsões, a principal defesa é o recalcamento das representantes pulsionais; há investimento objetal e o processo secundário; não há desligamento da realidade.

Na estrutura psicótica há uma recusa ( e não uma recalque) da realidade, o investimento objetal é precário, predominando o investimento narcísico; o processo primário se impõe, com seu caráter imperioso, imediatista. A Psicose não negocia com a realidade, como no caso da neurose; a recusa.

A analise de um sintoma, antes de classificá-lo como neurótico ou psicótico deve ser considerado em toda a sua dimensão latente. Os sintomas por si só, não permitem julgar a organização estrutural profunda da personalidade. Pois mesmo sintomas considerados típicos de uma estrutura ou patologia podem estar camuflando a existência de outro tipo de organização.

Em geral agrupam-se entre defesas ditas “neuróticas”, o recalque, o deslocamento, a condensação, a simbolização, etc.; e entre as defesas ditas “psicóticas”, a projeção, a recusa da realidade, a duplicação do ego, a identificação projetiva, etc.

Alguns episódios não podem ser entendidos no sentido estrutural, sem uma referencia a todo o contexto pessoal mais antigo e latente.

Em crianças e adolescentes sinais manifestos e aparentes não podem ser identificados como correspondentes uma estrutura especificas, pois a personalidade ainda não esta formada, nem as estruturas psíquicas definidas.

Mesmo em adultos, hão estados passageiros onde as antigas identificações são recolocadas em movimento por incidentes afetivos, há flutuações no sentido de identidade e modificação no esquema corporal, mas isso indica uma mudança de estrutura, não implica que o sujeito esteja em um estado pré-psicótico.

Bergeret (1998) pontua que nos verdadeiros episódios mórbidos, os termos “neurótico” e “psicótico” designam um estado de desapontação visível em relação à estrutura própria e profunda. É uma forma de comportamento mais ou menos durável, que emana realmente da estrutura profunda, conseqüente a impossibilidade de enfrentar circunstâncias novas, internas ou externas que ficaram mais poderosas do que as defesas habitualmente mobilizáveis no contexto dos dados estruturais, e unicamente nesse contexto. “Com efeito, uma doença pode eclodir somente na estrutura que lhe corresponde, e tal estrutura não pode dar origem a qualquer doença.” (Bergeret,1998, pág. 50)

O mesmo autor cita ainda que em psicopatologia a noção de estrutura corresponda aquilo que, em um estado psíquico mórbido ou não, é constituído por elementos metapsicológicos profundos e fundamentos da personalidade, fixados em um conjunto estável definitivo.

Quando se analisa uma sintomatologia convém pesquisar o funcionamento mental e seus mecanismos fundamentais.

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