Desenvolvimento psicossexual

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March 10, 2015
Desenvolvimento psicossexual

images (7)A sexualidade infantil se diferencia da sexualidade do adulto em vários aspectos. A maior excitação não precisa necessariamente ser localizada nos genitais. Não levam necessariamente ao contato sexual, mas alongam-se em atividades que vêm a desempenhar papel futuramente no prazer. Pode ser auto-erótica. Excitação e satisfação não estão nitidamente diferenciadas.

O desenvolvimento do Ego não é um processo homogêneo. Quando nasce, o organismo emerge de um ambiente relativamente tranqüilo para entrar num estágio de estimulação esmagadora com pouca proteção contra os estímulos. (Fenichel, 2005, pág. 30).

No início da vida, o bebê não é capaz de fazer uma diferenciação entre mundo externo e mundo interno; ele não tem noção das dimensões do seu corpo, não se vê unificado com braços, pernas e cabeça etc. Fenichel (2005) diz que a origem do Ego e a origem do senso de realidade são dois aspectos de uma mesma etapa de desenvolvimento. O conceito de realidade é que também cria o conceito de Ego; somos indivíduos na medida em que nos sentimos distintos e separados de outras pessoas.

A primeira percepção de objeto (externo) virá do desejo de alguma coisa que já é familiar ao bebê – alguma coisa capaz de gratificar necessidades, mas ausente no momento. Os primeiros sinais de representação objetal devem originar-se no estado de fome. (Fenichel, 2005, pág. 31).

“A primeira aceitação da realidade é somente um estágio intermediário no caminho de se afastar dela.” (Fenichel, 2005, pág. 31). É o ponto em que surge a contradição básica da vida humana, a contradição entre o desejo de relaxamento completo e o desejo de objetos (fome de estímulo). O fato de objetos externos haverem trazido o desejado estado de satisfação relaxada introduziu a complicação de que os objetos se tornaram desejados.

A primeira realidade é a que se engole. O “pôr na boca” vem a ser uma das primeiras formas de relação com os objetos externos. Essa incorporação é a percussora das atitudes sexuais e destrutivas ulteriores; destrói, em sentido psicológico, a existência do objeto. Como a forma como o Ego primitivo percebe o mundo é incompleta ele vem a sentir-se onipotente. É uma “onipotência ilimitada, a qual persiste enquanto não existe concepção dos objetos.” (Fenichel, 2005, pág. 34)

Quando a criança é obrigada a renunciar a crença na sua onipotência, passa a considerar onipotentes os adultos “e tenta mediante a introjeção , partilhar-lhes, desta vez, a onipotência. Há sentimentos narcísicos de bem-estar que se caracterizam pelo fato de que se sentem como reunião a uma força onipotente existente no mundo exterior, força que se obteve ou pela incorporação de partes deste mundo, ou pela fantasia de que se é por ele incorporado” (Fenichel, 2005, pág. 36)

Na criança maior todo o sinal de amor que vem do adulto, mais poderoso e admirado, tem o mesmo efeito que o leite teve sobre o bebê.

Fenichel (2005) caracteriza amor objetal passivo o período durante o qual a criança quer obter do objeto alguma coisa sem com nada contribuir. Nessa época do desenvolvimento para a criança o objeto ainda não é personalidade, é apenas um instrumento com que obter satisfação. Nesse período o medo de perda de amor significa perda de ajuda e proteção que acarretam perda de auto-estima.

O desamparo inicial do bebê leva-o a estados de alta tensão dolorosa , estados nos quais o organismo é inundado por quantidades de excitação que lhe excedem a capacidade de controle: são os chamados estados traumáticos. O sofrimento dos estados traumáticos representa a raiz comum de vários afetos futuros, entre eles a angústia. (Fenichel, 2005).

As sensações desta angústia primária podem ser consideradas , de um lado, como a maneira pela qual a tensão se faz sentir e, de outro lado, como a percepção de descargas de emergência vegetativas involuntárias. (Fenichel, 2005).

A libido, a princípio é toda armazenada no ego.

E este estado absoluto é chamado de narcisismo primário. Ele perdura até o ego começar a catexizar as idéias dos objetos com a libido, a transformar a libido narcísica em libido objetal. Durante toda a vida o ego permanece sendo o grande reservatório, do qual as catexias libidinais são enviadas aos objetos e para o qual elas são também mais uma vez recolhidas (…) (Freud,1932, pág 18)

Durante a fase oral já ocorrem esporadicamente impulsos sádicos, juntamente com o aparecimento dos dentes. Porem sua amplitude é muito maior na fase seguinte, a fase anal-sádica, por ser a satisfação então procurada na agressão e na função excretória . (Freud, 1932)

Na fase Sádico-anal o objetivo primário do erotismo anal é o gozo de sensações prazerosas na excreção. (Fenichel, 2005). Os primeiros desejos anais são auto-eróticos. Subdivide-se a fase de organização anal da libido em um período inicial, que teria um objetivo sádico no prazer excretório, sem consideração do objeto; e um período ulterior, que se caracterizaria por um prazer prevalente de retenção, no qual se conserva o objeto.

Na fase fálica o órgão que desempenha o papel principal é o pênis, os órgãos genitais femininos por muito tempo permanecem desconhecidos. Nas primeiras fases, os diferentes componentes das pulsões empenham-se na busca de prazer independentemente uns dos outros, na fase fálica, há os primórdios de uma organização que subordina os outros impulsos à primazia dos órgãos genitais e determina o começo de uma coordenação do impulso geral em direção ao prazer na função sexual. (Freud, 1932)

Em Novas Conferências Introdutórias sobre Psicanálise Freud (1933) fala que as crianças de tenra idade não possuem mecanismos internas contra seus impulsos que buscam o prazer. O papel que mais tarde é assumido pelo superego é desempenhado, no início por um poder externo, pela autoridade dos pais. A influência dos pais governa as crianças, concedendo-lhe provas de amor e ameaçando com castigos; os quais para a criança são sinais de perda de amor e se farão temer por essa mesma causa. Essa angústia realística é precursora da angústia moral subseqüente.

Ao abandonar o Complexo de Édipo, a criança deve renunciar às intensas catexias objetais que depositou nos seus pais, e é por compensação a essa perda de objetos que existe uma intensificação tão grande das identificações com os pais. (Freud, 1933).


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