As Interfaces Entre Depressão e Psicanálise

Comments 0 by in Psicanálise
March 9, 2015
As Interfaces Entre Depressão e Psicanálise

depressao

Este artigo tem como objetivo identificar a depressão por meio do viés psicanalítico com enfoque na prevenção, diagnóstico, tratamento. Realizou-se uma revisão de literatura sobre a temática em livros e periódicos, e bases de dados de pesquisa científica. O uso atual de antidepressivos e dos processos psicoterápicos são essenciais para o tratamento da depressão. O diagnóstico da depressão é facilitado por meio da presença dos sintomas descritos como: apatia, irritabilidade, perda de interesse, tristeza, atraso motor ou agitação, idéias agressivas, insônia, fadiga e anorexia. Com base nos achados da literatura, depressão é um transtorno de humor severo que pode comprometer a vida familiar e social do indivíduo.

Palavras-chave: prevenção, diagnóstico, tratamento

Introdução

O sofrimento psíquico e o esvaziamento afetivo do homem moderno têm levado a depressão. O que se observa hoje é uma nova concepção do luto e da depressão, agregada ao novo homem deste século. Um homem com inúmeras possibilidades, porém perdido, desamparado e que não sabe do que é preciso para ser suprido. Entretanto, como a psicanálise compreende os estados depressivos do homem atual?

A depressão é um transtorno do humor com dados epidemiológicos distribuídos por faixa etária: infância, adolescência e senectude se não tratada corretamente, pode perdurar por muito tempo, com prejuízos a vida dos pacientes.

O termo “depressão” vem do latim e da junção de dois radicais: depressio e onis, que agrega a palavra depressun cujo sentido é baixo. A psicanálise tem dissertado sobre a etiologia dos quadros depressivos e se percebe a prevenção em episódio de suicídio da depressão (GABBARD, 1998).

Assim, o objetivo deste estudo foi identificar a depressão por meio do viés psicanalítico com enfoque na prevenção, diagnóstico, tratamento. Ademais, propõe-se uma reflexão sobre as interfaces entre a depressão e Psicanálise.

A Prevenção da Depressão na Visão Psicanalítica

FREUD (1917) estabeleceu uma diferença entre luto e depressão melancólica. A perda real de um objeto refere-se ao luto. Na melancolia o objeto perdido é mais emocional que real. Além disso, segundo o autor, o paciente melancólico sente uma profunda perda de auto-estima, acompanhada de auto-acusação e culpa, enquanto que, a pessoa de luto mantém um senso de auto-estima razoavelmente estável.

Ainda de acordo com FREUD (1917) o quadro de depressão melancólica tem relação com a autodepreciação, estado em que os pacientes depressivos tendem a sentir raiva de si mesmos. Mais especificamente, a raiva é dirigida internamente pelo fato de o self do paciente se identificar com o objeto perdido (GABBARD, 1998).

FREUD (1923) acrescentou que os pacientes melancólicos tem um superego severo por relacionar a própria culpa em direção aos objetos amados. Assim, manter a dinâmica da depressão supõe ao sujeito que a instância do ego poderia matar a si próprio apenas tratando-se como um objeto. Isso implica no fato de o suicídio resultar no deslocamento de desejos destrutivos em relação a um objeto internalizado que é dirigido contra o self .

MELANIE KLEIN (1996) agregou a depressão à perda do objeto amado. Os estados maníaco-depressivos podem ser reflexos da falha da infância em estabelecer objetos internos bons.

De acordo com STELLA, GOBBI, CORAZZA e COSTA, (2002) para identificar os fatores que estariam desencadeando o surgimento de um processo depressivo, ou até mesmo agravando uma depressão existente, é importante verificar se o paciente possui alguma doença clínica que esteja associada à depressão, como também o uso de alguma medicação pode causar sintomas depressivos.

Diagnóstico e Aspectos Clínicos da Depressão   

O diagnóstico da depressão perpassa por várias etapas: anamnese com o paciente e a família, exame psiquiátrico, exame clínico geral, avaliação neurológica, identificação de efeitos adversos de medicamentos, exames laboratoriais e de neuroimagem. Estes são procedimentos para verificar o diagnóstico da depressão.

A depressão tem causas desconhecidas, porém, fatores genéticos, psicológicos, ambientais, anatomopatológicos e bioquímicos podem estar envolvidos na sua gênese e evolução.

Em pacientes idosos, a depressão costuma ser acompanhada por por queixas somáticas, hipocondria, baixa auto-estima, sentimentos de inutilidade, humor disfórico, tendência autodepreciativa, alteração do sono e do apetite, ideação paranóide e pensamento recorrente de suicídio. Sabe-se que nos pacientes idosos deprimidos o risco de suicídio é duas vezes maior do que nos não deprimidos (PEARSON, BROWN, 2000).

Tratamento da Depressão

O tratamento da depressão intenciona reduzir o sofrimento psíquico causado por esta enfermidade. O paciente em tratamento diminui o risco de suicídio, melhora o estado geral dele e garante qualidade de vida.

Com relação aos distúrbios afetivos, o tratamento poderá incluir psicoterapia individual, terapia familiar, grupoterapia e psicofarmacoterapia.

Como formas de intervenção, a psicoterapêutica é indicada para o depressivo como modalidade a psicoterapia breve – minimiza o sofrimento psíquico do paciente.

A intervenção com medicações é necessária por meio dos antidepressivos. Os autores SILVA, SOUZA, MOREIRA e GENESTRA (2003) alertaram que a depressão não tratada coloca em risco a vida do paciente e eleva o sofrimento.  Por isso, o tratamento medicamentoso, na opinião dos autores, constitui o primordial da intervenção terapêutica para reduzir a duração e a intensidade dos sintomas atuais e prevenção da recidiva.

A indicação do tipo de abordagem terapêutica dependerá da precisão diagnóstica e dos riscos inerentes a cada paciente. Poderá se escolher um tratamento em consultório, ambulatório institucional ou ambiente hospitalar. No momento contemporâneo, avalia-se a necessidade do uso de psicofármacos e se associa a psicoterapia.

Metodologia

O método utilizado neste trabalho envolveu revisão de literatura sobre à presente temática em livros, artigos e base de dados.

Após a compreensão dos autores reunidos, seguiu-se com análise descritiva e comparação entre cada autor e subtópicos relacionados.

Resultado e Discussão

Enfatiza-se na literatura (BECK, ALFORD, 2011) que a depressão é um transtorno grave que pode comprometer toda a vida familiar e social do paciente, pois destroi famílias, carreiras e relacionamentos. Nessa direção, os autores (ESTEVES, GALVAN, 2006) observaram que preconceitos e estigmas existentes em relação a ter uma doença mental só podem ser suplantados com o conhecimento e a informação para o paciente, a família e a sociedade.

No sentido da prevenção, os autores (ESTEVES, GALVAN, 2006) sugeriram que a base encontra-se nas primeiras relações objetais dos indivíduos que funcionam como modelo para todas as relações futuras.

Com relação ao diagnóstico, (BECK, ALFORD, 2011) apontaram que pelos sintomas – apatia, irritabilidade, perda de interesse, tristeza, atraso motor, insônia, fadiga e outros podem facilitar o diagnóstico, assim como também um bom conhecimento teórico da patologia.

E com relação ao tratamento, a intervenção clínica com uso de antidepressivos e psicoterapia associada, na opinião dos autores, mostra-se fundamental. Destacou-se na literatura essa intervenção com os antidepressivos tricídicos, os inibidores da monoaminoxidase e os inibidores seletivos da recaptação de serotonina são abordados de forma abrangente (LAFER, ALMEIDA, FRÁGUAS, MIGUEL, 2000).

Os tratamentos farmacológicos e os psicoterápicos são essenciais para a depressão. Em diversas ocasiões, o medicamento fará com que o paciente se recupere e admita a necessidade de se tratar tanto com a medicação e ou de prevenção quanto com psicoterapia que ampliará o autoconhecimento e ajudará na reintegração social e na retomada de sua individualidade (LAFER, ALMEIDA, FRÁGUAS, MIGUEL, 2000).

A partir da percepção de que a depressão é observada como um estado sintomático e não como uma categoria de patologia, a literatura convergiu no sentido de que a depressão necessita ser prevenida, diagnosticada e devidamente tratada (SILVA, SOUZA, MOREIRA, GENESTRA, 2003). Os autores consultados pontuaram a depressão como forma de sofrimento psíquico vivido pelos homens da sociedade moderna. No Brasil, aproximadamente 54 milhões de pessoas em algum momento da vida terão algum tipo de depressão, sendo que 7,5 milhões terão episódios agudos ou graves com risco de suicídio (LAFER, ALMEIDA, FRÁGUAS, MIGUEL, 2000).

Considerações Finais

Com base na literatura consultada, as interfaces entre depressão e psicanálise podem ser entendidas a partir da detecção ou diagnóstico do quadro, prevenção e tratamento combatente.

Na atualidade os relatos ditos aos sintomas depressivos como desinteresse, apatia, tristeza, nem sempre estão associados a uma perda. Estes sintomas são interpretados pela literatura clássica como os indicadores da depressão e melancolia. Entende-se que outros fatores podem causar sintomas depressivos, os quais decorrem das relações e situações do cotidiano vivido pelo homem moderno.

BECK, A.T; ALFORD, B.A. Depressão causas e tratamento. Porto Alegre: Artmed, 2011.

ESTEVE, F. C; GALVAN, A.L. Depressão numa contextualização contemporânea. Revista Atletheia, n.24.p. 127-135, jul./dez. 2006.

FREUD, S. Obras psicológicas completas de Sigmund Freud. Edição standard brasileira.Volume XVII (1917-1919). Rio de Janeiro: Imago, 1996.

FREUD, S. Obras psicológicas completas de Sigmund Freud. Edição standard brasileira.Volume XIX (1923-1925). Rio de Janeiro: Imago, 1996.

GABBARD, G.O. Psiquiatria psicodinâmica. 2ed. Porto Alegre: Artmed,1998.

GUEDES – SILVA, Damiana et AL. Depressão pós-parto: prevenção e conseqüências. rev. Mal – Estar Subj., Fortaleza, v.3, n.2, set 2003. Disponível em < http:// pepsic. bvsalaud.org/scielo.php?scrip=sci_arttext&pid=s1518-61482003000200010&Ing=PT&nrm=isso>.acessos em 24 nov. 2011.

KLEIN, M. Amor, culpa e reparação: e outros trabalhos. Rio de Janeiro: Imago, 1996.

LAFER, B; ALMEIDA, O.P; FRÁGUAS, R .Jr; MIGUEL. E.C. Depressão no ciclo da vida. Porto Alegre: Artmed, 2000.

PEARSON, J.L; BROWN, G. K. Suicide prevention in late life: directions of suicide for science and pratice. ClinicalandPsychologicalReview, 2000.

STELLA, F; GOBBI, S; CORAZZA, D.I; COSTA, J.L.R. Depressão no idoso: diagnóstico, tratamento e benefícios da atividade física. São Paulo: UNESP, 2002.

SOUZA,F.G.M.Tratamento da depressão.Ver.Brás.Psiquiatr.,SãoPaulo:2011.Disponível emhttp://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=s1516-4461999000500005&Ing=pt&Ing=iso. Acessos em 24 nov. 2011.

SUKIENNIK, P.B; SEGAL, J; SALLE, E. Implicações da depressão e do risco de suicídio na escola durante a adolescência. Revista Adolesc. Latinoam., jun.2000, vol.2. n.1, p. 36-44. ISSN 1424-7130.

Tags: